VEJA A LUA COM OUTROS OLHOS
VEJA A LUA COM OUTROS OLHOS
Uma investigação que começou antes das imagens de alta resolução
Para quem já acompanha o espaço Universo em Paradoxo, sabe que existe uma aparente repetição em algumas de nossas postagens e compartilhamentos.
Àqueles que chegam pela primeira vez, talvez possa parecer que estamos sempre voltando às mesmas perguntas.
E, de certa maneira, estamos.
Mas existe uma razão.
Algumas perguntas merecem ser revisitadas quando os instrumentos mudam, quando surgem novos dados e quando descobrimos que pesquisadores anteriores já haviam formulado perguntas semelhantes às nossas.
O objetivo nunca foi simplesmente acumular histórias sobre UFOs.
O objetivo é tentar compreender alguns dos fenômenos que permanecem controversos, procurando separar aquilo que é registro, aquilo que é interpretação e aquilo que pode ser transformado em hipótese testável.
Durante anos, essa investigação reuniu documentos, fotografias, relatos de astronautas, estudos independentes, pesquisas de grupos de ufologia, trabalhos acadêmicos e imagens compartilhadas por observadores que dedicaram tempo à análise do céu e da superfície lunar.
Nem todas essas fontes possuem o mesmo valor.
E essa diferença é fundamental.
Um depoimento não possui o mesmo status de uma fotografia original.
Uma fotografia não possui o mesmo status de uma medição espectral.
Uma hipótese não possui o mesmo status de uma evidência reproduzível.
Mas todas podem, em determinadas circunstâncias, contribuir para formular uma pergunta melhor.
A pergunta que antecede a resposta
Durante muito tempo, a busca por inteligência extraterrestre foi associada principalmente à tentativa de detectar sinais de rádio.
Mas e se uma civilização tecnológica já tivesse passado pelo Sistema Solar?
E se tivesse enviado sondas?
E se tivesse deixado algum objeto?
E se tivesse utilizado recursos de algum corpo celeste?
E se alguma modificação da superfície ainda pudesse ser identificada?
Essas perguntas não começaram no Universo em Paradoxo.
Elas são muito mais antigas.
E alguns pesquisadores dedicaram trabalhos específicos à possibilidade de procurar artefatos extraterrestres.
SETA — a busca por artefatos extraterrestres
Um dos nomes importantes nessa história é Robert A. Freitas Jr.
Nos anos 1980, Freitas desenvolveu o conceito conhecido como SETA — Search for Extraterrestrial Artifacts, defendendo a investigação de possíveis artefatos tecnológicos extraterrestres no ambiente próximo da Terra.
Seu trabalho “The Search for Extraterrestrial Artifacts” foi publicado na literatura relacionada à exploração espacial e estabeleceu uma abordagem diferente daquela tradicionalmente associada ao SETI: em vez de procurar somente uma mensagem deliberadamente transmitida, procurar também objetos físicos ou outros vestígios tecnológicos.
Freitas também explorou a possibilidade de procurar objetos artificiais associados ao sistema Terra-Lua.
Uma parte significativa de sua produção está disponível em seu próprio arquivo:
https://www.rfreitas.com/AstroPubls.htm
E o trabalho:
“If They Are Here, Where Are They?”
https://www.rfreitas.com/Astro/WhereAreThey1983.htm
Esses trabalhos são historicamente importantes porque mostram que a ideia de procurar vestígios físicos de uma inteligência extraterrestre não nasceu com as redes sociais, com vídeos do YouTube ou com a ufologia contemporânea.
Ela possui uma história intelectual própria.
Arqueologia lunar
Outro trabalho particularmente interessante é o de Alexey V. Arkhipov, do Institute of Radio Astronomy, da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia.
Arkhipov apresentou o projeto:
“Archaeological Reconnaissance of the Moon: Results of SAAM Project”
SAAM — Search for Artifacts of Ancient Man? — procurava desenvolver uma abordagem de reconhecimento arqueológico da Lua baseada na possibilidade de identificar vestígios anômalos através de observações e imagens.
O trabalho foi publicado no início dos anos 2000 e integra uma linha de investigação que procurava aplicar conceitos semelhantes aos da arqueologia à exploração lunar.
Uma cópia histórica do material pode ser encontrada aqui:
http://spsr.utsi.edu/articles/Saam/SAAM.HTM
O endereço original pode não permanecer funcional em todos os navegadores, mas o trabalho aparece preservado em diferentes índices e referências na literatura sobre SETA e arqueologia extraterrestre.
E então chegamos ao LRO
A história ganha uma dimensão completamente diferente com a Lunar Reconnaissance Orbiter — LRO.
Lançada em 2009, a missão passou a produzir um dos mais detalhados conjuntos de imagens da superfície lunar.
E foi justamente esse banco de dados que chamou a atenção de Paul C. W. Davies e Robert V. Wagner.
Em 2013, os dois publicaram em Acta Astronautica:
“Searching for alien artifacts on the moon”
Acta Astronautica, Volume 89, agosto–setembro de 2013, páginas 261–265.
DOI:
https://doi.org/10.1016/j.actaastro.2011.10.022
Página do artigo:
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0094576511003249
O artigo também está catalogado pela Arizona State University como publicação revisada por pares.
E aqui existe algo que considero particularmente emblemático.
Davies e Wagner não afirmaram que existam artefatos extraterrestres na Lua.
Eles propuseram algo muito mais simples:
se a possibilidade de uma inteligência extraterrestre deixar vestígios físicos puder ser considerada, então a Lua é um dos lugares onde esses vestígios poderiam ser procurados.
Os autores destacaram que o banco de imagens do LRO poderia ser examinado sistematicamente em busca de possíveis assinaturas de tecnologia não humana.
Isso é muito diferente de afirmar que determinada estrutura lunar seja extraterrestre.
É uma estratégia de busca.
A Lua como arquivo
A razão pela qual a Lua desperta tanto interesse é relativamente simples.
Ela está próxima.
Possui uma superfície extensa e observável.
Pode ser mapeada em diferentes escalas.
Possui dados topográficos, espectrais, térmicos e gravitacionais.
E determinadas marcas superficiais podem permanecer registradas por períodos extremamente longos.
Davies e Wagner ressaltaram justamente essa característica: embora considerassem pequena a probabilidade de encontrar um artefato extraterrestre, a Lua teria a vantagem de ser próxima e potencialmente conservar vestígios durante imensos períodos.
Isso cria uma possibilidade fascinante.
Talvez a procura não precise começar com uma nova missão.
Ela pode começar com os dados que já existem.
O que procurar?
Essa talvez seja a parte mais difícil.
Porque não sabemos como seria a tecnologia de outra civilização.
Podemos imaginar uma torre.
Um domo.
Uma mina.
Uma estrutura subterrânea.
Uma sonda.
Uma antena.
Mas tudo isso é baseado em tecnologia humana.
Uma civilização completamente diferente poderia construir de outra maneira.
Poderia utilizar o próprio regolito.
Poderia explorar tubos de lava.
Poderia modificar uma estrutura geológica preexistente.
Poderia utilizar materiais que desconhecemos.
Poderia construir estruturas que, para nossos olhos, pareceriam formações naturais.
E talvez nem fosse necessário construir algo monumental.
Um pequeno artefato suficientemente antigo poderia ser muito mais difícil de encontrar do que uma grande modificação da superfície.
Por isso, a questão central talvez não seja:
“Onde está a nave alienígena?”
Mas:
“Que tipo de assinatura física seria difícil de explicar exclusivamente por processos naturais?”
O problema da pareidolia
Aqui está o ponto em que uma investigação séria precisa impor limites à própria imaginação.
A Lua produz sombras extraordinárias.
Impactos produzem formas geométricas.
Blocos podem formar alinhamentos.
Materiais podem sofrer fraturamento.
Processos vulcânicos podem produzir estruturas complexas.
A iluminação rasante pode transformar pequenas irregularidades em formas aparentemente monumentais.
Portanto, encontrar uma forma estranha em uma fotografia não é suficiente.
Nem mesmo encontrar uma forma geométrica.
A natureza é perfeitamente capaz de produzir geometria.
O desafio está em descobrir se existe alguma característica que permaneça anômala quando submetida a diferentes testes.
É aqui que os dados se tornam mais importantes que a narrativa
Uma investigação pode começar com uma fotografia de um internauta.
Pode começar com um relato.
Pode começar com uma imagem antiga da Apollo.
Pode começar com uma publicação ufológica.
Pode começar com uma anomalia identificada em uma imagem orbital.
Mas não deveria terminar aí.
É necessário voltar à fonte.
Encontrar a imagem original.
Determinar a resolução.
Identificar a geometria da observação.
Verificar a iluminação.
Comparar outras imagens.
Consultar diferentes instrumentos.
Examinar a topografia.
Pesquisar a composição.
Procurar explicações naturais.
E registrar aquilo que permanece depois desses testes.
É nesse momento que uma história começa a transformar-se em investigação.
Mais de um século de perguntas
Talvez uma das coisas mais interessantes seja perceber que diferentes pesquisadores, em diferentes épocas, chegaram a perguntas semelhantes por caminhos distintos.
Freitas discutiu a busca por artefatos extraterrestres.
Arkhipov discutiu reconhecimento arqueológico da Lua.
Davies e Wagner propuseram utilizar o enorme banco de imagens do LRO para procurar possíveis vestígios tecnológicos.
E hoje temos uma quantidade de dados lunares muito maior do que aquela disponível para esses pesquisadores.
Temos novas missões.
Novos sensores.
Novas imagens.
Novas técnicas de processamento.
Modelos tridimensionais.
Análises espectrais.
Informações térmicas.
Dados gravitacionais.
E capacidade computacional que simplesmente não existia quando muitos desses trabalhos foram produzidos.
Talvez, portanto, a pergunta não seja antiga.
Talvez apenas estejamos começando a possuir ferramentas melhores para fazê-la.
Veja a Lua com outros olhos
É esse o propósito do Universo em Paradoxo.
Não pedir que o leitor acredite.
Não pedir que o leitor rejeite.
Mas convidá-lo a olhar.
Comparar.
Pesquisar.
Questionar.
Voltar às fontes.
Ler os trabalhos originais.
Conhecer os argumentos de quem defende uma hipótese e também as explicações alternativas.
Porque talvez o maior erro de uma investigação sobre fenômenos anômalos seja chegar à conclusão antes de terminar a observação.
A Lua não precisa ser artificial para ser extraordinária.
Não precisamos encontrar uma civilização extraterrestre para justificar seu estudo.
E não precisamos aceitar uma hipótese para investigá-la.
Podemos simplesmente perguntar.
O que existe naquela superfície?
O que já foi identificado?
O que permanece inexplicado?
O que pode ser testado?
E, principalmente:
o que ainda não estamos vendo?
Talvez seja por isso que algumas postagens pareçam repetitivas.
Estamos voltando aos mesmos lugares porque novos dados podem transformar perguntas antigas.
Estamos revisitando fotografias porque uma imagem de cinquenta anos atrás pode ser analisada hoje com ferramentas que não existiam quando foi produzida.
Estamos recuperando trabalhos antigos porque algumas perguntas estavam sendo feitas muito antes de chegarmos a elas.
E estamos olhando novamente para a Lua porque ela continua sendo o corpo celeste mais próximo onde podemos procurar respostas diretamente.
PARA COMEÇAR A PESQUISA
Robert A. Freitas Jr. — “If They Are Here, Where Are They?”
https://www.rfreitas.com/Astro/WhereAreThey1983.htm
Robert A. Freitas Jr. — Publicações sobre SETA
https://www.rfreitas.com/AstroPubls.htm
Alexey V. Arkhipov — “Archaeological Reconnaissance of the Moon: Results of SAAM Project”
http://spsr.utsi.edu/articles/Saam/SAAM.HTM
Paul C. W. Davies & R. V. Wagner — “Searching for alien artifacts on the moon”
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0094576511003249
DOI
https://doi.org/10.1016/j.actaastro.2011.10.022
NASA — Lunar Reconnaissance Orbiter
https://science.nasa.gov/mission/lro/
NASA — Publicações relacionadas ao LRO
https://science.nasa.gov/mission/lro/lro-publications-by-others/
Uma pequena mudança de perspectiva pode mudar o mundo.
Talvez também possa mudar a maneira como olhamos para a Lua.
Veja a Lua com outros olhos. 🌕
Dados antes das conclusões.
Geometria antes da narrativa.
Hipótese antes da certeza.
E investigação antes da crença.

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